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Matemática além dos números: desenvolver habilidades para resolver problemas

Aprender Matemática vai muito além de memorizar fórmulas e realizar cálculos. Interpretar situações, selecionar estratégias, raciocinar, testar possibilidades e encontrar soluções são competências fundamentais para a vida escolar e para o desempenho dos estudantes nas avaliações educacionais.


Quando se fala em Matemática na escola, ainda é comum associar a aprendizagem à capacidade de realizar cálculos corretamente.

Somar.

Subtrair.

Multiplicar.

Dividir.

Aplicar fórmulas.

Esses conhecimentos são importantes, mas representam apenas uma parte da aprendizagem matemática.

Diante de uma situação-problema, o estudante precisa realizar diferentes operações cognitivas antes mesmo de começar um cálculo. É necessário compreender o que está sendo solicitado, identificar as informações relevantes, relacionar conhecimentos, selecionar uma estratégia e avaliar se a resposta encontrada faz sentido.

Por isso, ensinar Matemática também significa ensinar o estudante a pensar matematicamente.

Essa capacidade possui papel importante tanto na trajetória escolar quanto no desempenho em avaliações externas como o SAEB e, consequentemente, nos resultados relacionados ao IDEB.

Resolver problemas é mais do que encontrar uma resposta

Uma situação-problema pode ser resolvida de diferentes maneiras.

Um estudante pode utilizar um cálculo convencional.

Outro pode construir um desenho.

Outro pode organizar uma tabela.

Outro pode desenvolver uma estratégia própria.

Quando o ensino valoriza apenas a resposta final, perde-se uma oportunidade importante de compreender como o estudante está raciocinando.

Perguntas como:

“Como você pensou?”

“Existe outra maneira de resolver?”

“Por que escolheu essa operação?”

“Como podemos verificar se essa resposta faz sentido?”

ajudam a transformar a aula de Matemática em um espaço de investigação.

O erro também ganha outro significado.

Em vez de ser visto somente como algo a ser corrigido, pode revelar o caminho utilizado pelo estudante e ajudar o professor a identificar onde está a dificuldade.

A leitura também faz parte da Matemática

Muitas dificuldades encontradas em questões matemáticas não estão necessariamente relacionadas ao cálculo.

O estudante pode dominar uma operação e, ainda assim, não conseguir resolver um problema porque não compreendeu o enunciado.

Isso demonstra a relação existente entre leitura, interpretação e raciocínio matemático.

Antes de calcular, o estudante precisa perguntar:

O que o problema quer descobrir?

Quais informações são importantes?

Existem dados que não serão utilizados?

Que relação existe entre as informações apresentadas?

Qual estratégia pode ajudar?

Esse processo de interpretação é fundamental para a autonomia.

Por isso, fortalecer a competência leitora também pode contribuir para a aprendizagem matemática.

Matemática precisa fazer sentido

Outro elemento importante é aproximar os conhecimentos matemáticos de situações que permitam ao estudante compreender sua utilização.

Preços.

Medidas.

Horários.

Distâncias.

Gráficos.

Tabelas.

Porcentagens.

Formas geométricas.

Consumo.

Planejamento de gastos.

Dados sobre o próprio município.

A Matemática está presente em inúmeras situações cotidianas que podem ser utilizadas como contexto para a aprendizagem.

Isso não significa abandonar conceitos ou conhecimentos formais.

Significa criar pontes entre o conhecimento matemático e situações nas quais ele possa ser mobilizado.

Quando o estudante compreende para que determinado conhecimento pode ser utilizado, a aprendizagem tende a ganhar mais significado.

O SAEB e as habilidades matemáticas

As avaliações externas buscam verificar diferentes habilidades relacionadas à Matemática.

Diante das questões, os estudantes precisam mobilizar conhecimentos, interpretar informações e selecionar estratégias.

Por isso, uma preparação baseada exclusivamente na repetição de modelos pode ser limitada.

O estudante precisa encontrar diferentes situações e aprender a transferir conhecimentos.

Uma habilidade pode ser trabalhada por meio de um problema hoje, de um gráfico amanhã e de uma situação relacionada ao cotidiano em outro momento.

A variedade ajuda a desenvolver flexibilidade de raciocínio.

O objetivo não é fazer com que o estudante memorize como responder a determinada questão.

É ajudá-lo a compreender como pensar diante de uma situação nova.

Dos resultados para as habilidades prioritárias

Os resultados das avaliações também podem ajudar professores e equipes pedagógicas a identificar habilidades matemáticas que precisam ser fortalecidas.

Em vez de olhar apenas para uma média geral, é possível investigar:

Os estudantes apresentam maior dificuldade em resolução de problemas?

Em geometria?

Em grandezas e medidas?

Na interpretação de tabelas e gráficos?

Em conhecimentos numéricos?

Esse detalhamento permite organizar melhor as intervenções.

O caminho pode ser representado assim:

RESULTADO → HABILIDADE → ESTRATÉGIA → PRÁTICA → ACOMPANHAMENTO

Se determinada dificuldade persiste, novas abordagens podem ser experimentadas.

A análise deixa de servir apenas para explicar o resultado passado e começa a orientar as próximas aulas.

Matemática e IDEB: resultado se constrói ao longo do tempo

O desempenho apresentado pelos estudantes nas avaliações externas é consequência de uma trajetória.

Habilidades matemáticas desenvolvidas nos anos iniciais servem de base para conhecimentos posteriores.

Quando existem lacunas em aprendizagens fundamentais, os estudantes podem encontrar dificuldades progressivamente maiores.

Por isso, melhorar resultados exige continuidade.

Não basta intensificar exercícios pouco antes da avaliação.

É necessário fortalecer conceitos, acompanhar dificuldades, realizar intervenções e criar oportunidades frequentes para que o estudante resolva problemas e desenvolva raciocínio.

Quando isso acontece, o avanço nos indicadores passa a ser consequência de uma aprendizagem matemática mais consistente.

Instituto Educa+: Matemática conectada à prática pedagógica

Nas ações realizadas junto às redes municipais, o Instituto Educa+ busca contribuir para o fortalecimento das práticas de Matemática por meio de formações e estratégias relacionadas às necessidades identificadas pelos municípios.

O estudo de habilidades e descritores, a análise de resultados, a resolução de situações-problema e a discussão de metodologias podem ajudar professores a ampliar possibilidades de intervenção em sala de aula.

Mais do que apresentar modelos prontos, a formação pode criar espaços para analisar diferentes caminhos de resolução e discutir como determinadas habilidades podem ser trabalhadas de forma significativa.

A proposta é aproximar:

CONHECIMENTO → RACIOCÍNIO → ESTRATÉGIA → RESOLUÇÃO → APRENDIZAGEM

Assim, o trabalho relacionado às avaliações externas permanece conectado a um objetivo maior: desenvolver estudantes capazes de utilizar a Matemática com autonomia.

Ensinar Matemática é ensinar a encontrar caminhos

Um problema nem sempre apresenta um caminho evidente.

E talvez essa seja justamente uma das maiores contribuições da Matemática para a formação do estudante.

Aprender a observar.

Levantar hipóteses.

Testar.

Errar.

Recomeçar.

Comparar estratégias.

Encontrar soluções.

Essas capacidades ultrapassam os limites de uma avaliação escolar.

Para o Instituto Educa+, fortalecer a aprendizagem matemática significa contribuir para que o estudante não apenas saiba calcular, mas seja capaz de compreender situações e utilizar seus conhecimentos para encontrar soluções.

Porque a Matemática está nos números.

Mas a aprendizagem acontece quando o estudante descobre o que pode fazer com eles.

 
 
 

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