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Cultura baiana em foco: Conde leva suas raízes e memórias para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo

há 2 dias
5 min de leitura

Há mais de um ano, histórias contadas por moradores de Conde começaram a ganhar outro destino. Relatos guardados na memória, acontecimentos que atravessaram gerações, lendas, personagens, costumes e lembranças do cotidiano foram reunidos em um trabalho de pesquisa e escuta que, mais tarde, se transformaria em livro.


Nascia assim “O Segredo de Conde: Contos que Contam”, da professora e escritora e CEO do Instituto Educa+ Amanda Garcia.


Agora, depois de percorrer um caminho iniciado dentro do próprio município, a obra chegou a um dos principais encontros literários da América Latina: a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.


No dia 10 de setembro, o livro integrou a programação da 28ª edição do evento, levando para São Paulo histórias que nasceram no litoral norte da Bahia e que ajudam a contar Conde por uma perspectiva que vai além dos registros oficiais.


Porque há uma parte da história de uma cidade que está nos documentos. Mas existe outra que permanece na lembrança de quem viveu, ouviu, contou e continuou contando.


Foi justamente essa memória que ajudou a construir o livro.


UM LIVRO QUE COMEÇOU PELA ESCUTA


Antes de existir uma obra pronta, houve pesquisa.


A construção de “O Segredo de Conde: Contos que Contam” partiu do contato com o município e, principalmente, com as pessoas que carregam consigo parte de sua memória.


A proposta desenvolvida por Amanda Garcia e pelo Instituto EDUCA+ buscou reunir diferentes narrativas para transformar em literatura aquilo que, muitas vezes, permanece apenas na oralidade: histórias de pessoas, acontecimentos, costumes, tradições, lendas e lembranças que atravessam gerações.


Em entrevista ao Portal da Cidade Conde, Amanda explicou que esse processo exigiu cuidado justamente porque não se tratava apenas de pesquisar fatos, mas de lidar com histórias compartilhadas pela própria população.


“Buscamos reunir relatos, lembranças e acontecimentos que fazem parte da memória coletiva de Conde. Foi um trabalho de pesquisa, escuta e organização dessas narrativas, sempre com muito cuidado e respeito pelas pessoas e pelas histórias compartilhadas. O objetivo foi preservar esse patrimônio imaterial e transformá-lo em um registro que possa alcançar as gerações atuais e futuras”, afirmou.


Esse encontro entre pesquisa e memória deu forma a uma obra que não pretende apresentar Conde apenas por datas ou acontecimentos isolados.


O município aparece também através de sua gente.


CONTOS QUE CONTAM MUITO ALÉM DA FICÇÃO


O próprio título dá uma pista sobre a proposta da obra.


Em “Contos que Contam”, diferentes histórias ajudam a revelar um território formado não somente pelos acontecimentos registrados ao longo do tempo, mas pelas experiências das pessoas que participaram dessa construção.


O livro reúne contos, lendas, memórias, narrativas ficcionais e histórias verídicas, criando uma leitura que transita entre realidade, imaginação e tradição popular.


São relatos que apresentam personagens, costumes, manifestações de fé, acontecimentos marcantes e lembranças que ajudam a compreender como Conde foi se constituindo histórica, social e culturalmente.


“O livro reúne contos, lendas, memórias e histórias verídicas sobre pessoas e acontecimentos que marcaram a trajetória de Conde. São narrativas que ajudam a compreender como o município foi sendo construído, não apenas do ponto de vista histórico, mas também humano e cultural”, explicou Amanda.


Segundo a autora, essa construção permite que o leitor encontre no livro elementos que pertencem à própria identidade do município.


“O leitor encontrará personagens, costumes, tradições e lembranças que fazem parte da identidade da cidade. Cada história revela um pouco da essência de Conde e mostra como a memória de um território também está presente na vida de sua população”, completou.


É justamente aí que a literatura encontra o território.


Uma lembrança compartilhada por alguém pode se transformar em narrativa. Uma história conhecida por uma comunidade pode chegar a uma criança que nunca a ouviu. Uma tradição que parecia fazer parte apenas do cotidiano passa a ser percebida também como patrimônio.


E aquilo que antes dependia apenas da memória de quem contava passa a ocupar as páginas de um livro.


DE CONDE PARA SÃO PAULO


Mais de um ano depois de sua construção, o caminho percorrido pela obra ganhou um novo capítulo.


No dia 10 de setembro, “O Segredo de Conde: Contos que Contam” foi apresentado ao público da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.


Durante a programação, Amanda Garcia falou sobre o processo de construção do livro e apresentou a metodologia utilizada para transformar pesquisa, escuta e memória coletiva em uma narrativa voltada especialmente ao público infantojuvenil.


O encontro também abriu espaço para a aproximação com os leitores e para uma sessão de autógrafos. Ao longo do evento, a publicação permaneceu exposta, permitindo que visitantes de diferentes lugares conhecessem um pouco das histórias de Conde.


A distância entre o litoral norte da Bahia e São Paulo é grande.


Naquele momento, porém, ela coube nas páginas de um livro.


Pessoas que talvez nunca tenham caminhado pelas ruas do município, conhecido suas comunidades ou ouvido suas histórias puderam ter um primeiro contato com Conde através da literatura.


E esse talvez seja um dos aspectos mais simbólicos dessa participação: uma memória essencialmente local alcançou um espaço de circulação nacional sem deixar de pertencer ao lugar onde nasceu.


QUANDO A HISTÓRIA DE UMA CIDADE CHEGA A OUTROS LEITORES


A presença na Bienal também ampliou uma discussão que acompanha a própria Coleção O Segredo: quem conta as histórias dos municípios do interior?


Conde possui uma trajetória que não se resume aos seus pontos turísticos ou às paisagens que costumam aparecer quando alguém procura conhecer a região. Há um município construído por pessoas, experiências, tradições, saberes e histórias que nem sempre ultrapassam os limites de suas próprias comunidades.


Registrar essas narrativas significa também criar possibilidades para que elas continuem circulando.


Para Amanda Garcia, foi justamente essa dimensão que tornou a chegada do livro à Bienal especialmnte significativa.


“É uma oportunidade muito importante para levar a história, a cultura e as memórias de Conde a um dos maiores eventos literários da América Latina. Quando um livro como esse chega a São Paulo e ocupa um espaço na Bienal, não estamos apresentando apenas uma publicação. Estamos apresentando um município inteiro, com sua identidade, suas raízes e as histórias de sua gente”, destacou.


A autora também relacionou essa circulação da obra ao fortalecimento da identidade local.


“Essa participação amplia o alcance da obra, fortalece o sentimento de pertencimento e coloca Conde no mapa da literatura”, concluiu.


DA MEMÓRIA PARA O LIVRO. DO LIVRO PARA NOVAS GERAÇÕES.


A chegada de “O Segredo de Conde: Contos que Contam” à Bienal acontece depois de uma trajetória que começou muito antes do palco, dos autógrafos ou da exposição em São Paulo.


Começou quando alguém decidiu contar uma história.


Quando uma lembrança foi compartilhada.


Quando acontecimentos, personagens e tradições do município foram reconhecidos como algo que merecia ser preservado.


É também por isso que a obra pode encontrar espaço dentro das escolas. Para crianças e adolescentes, conhecer a história do lugar onde vivem a partir de personagens, cenários, costumes e referências próximas de sua realidade cria outra relação com o conhecimento. O território deixa de aparecer apenas como o lugar onde o estudante mora e passa a ser percebido como um espaço que também produz história, cultura e conhecimento.


Esse é um dos princípios que acompanham o trabalho desenvolvido pelo Instituto EDUCA+ com a valorização dos territórios: aproximar educação, memória e pertencimento.


No caso de Conde, esse movimento ganhou páginas.


E, mais de um ano depois, essas páginas viajaram.


Chegaram a São Paulo carregando histórias que nasceram de muitas vozes e apresentando a novos leitores um município que possui muito mais para contar do que aquilo que cabe nos mapas.


O livro chegou à Bienal. Mas as histórias continuam pertencendo a Conde e, principalmente, às pessoas que ajudaram a mantê-las vivas.

Fonte: Assessoria de comunicação


 
 
 

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